A plataforma que dava 100% da receita ao artista fechou — e o que isso ensina
Existia uma plataforma em que o artista vendia direto ao fã e ficava com toda a receita. Era o desenho que todo mundo pede. Ela fechou — e não foi por falta de artista.
O que era o Nina
Fundado em 2021, ele existia para tirar o intermediário do caminho: o artista publicava, o fã comprava direto, e a receita ficava inteira com quem fez a música. Era construído sobre infraestrutura em blockchain. A proposta funcionava para o artista. O que não fechou foi a conta da empresa.
O que o SoundCloud levou, e o que não quis
Levou o acervo editorial — jornalismo musical, perfis de artistas, cobertura cultural —, o mapa de gêneros construído pela comunidade e uma ferramenta opcional de migração, que transfere música, conteúdo e seguidores. Deixou de fora a equipe e a infraestrutura em blockchain. Repare no que teve comprador: não foi a tecnologia. Foi a comunidade e o que se escreveu sobre ela.
O que recebe quem migra
Quem aceita a migração ganha assinatura de artista gratuita até o fim de 2026, distribuição com retenção de cem por cento dos royalties, apoio direto de fãs, vinil sob demanda, dados de audiência, masterização e uploads ilimitados. É uma janela com data para fechar, e não uma condição permanente.
O recado: Vender direto não é o problema nem a solução — o custo é manter o canal aberto. Quem tira o intermediário assume o que ele fazia: cobrança, entrega, suporte, descoberta. Antes de montar loja própria, some quanto custa mantê-la de pé no mês em que ninguém comprar. Fonte: Music Ally e CelebrityAccess, julho de 2026.
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