Spotify e Merlin: 30 mil selos independentes entram na IA de covers e remixes — e o consentimento não começa em você
E ela não começa em você. Um acordo assinado no começo de agosto abriu a porta para que a sua música vire matéria-prima de cover e remix feitos por fãs com inteligência artificial — com a sua permissão. O detalhe é onde essa permissão é dada.
Quem é a Merlin, e por que a escala mudou
A Merlin licencia coletivamente por mais de 30 mil selos e distribuidoras independentes, em mais de 70 países — cerca de quinze por cento do mercado global de música gravada. Até agosto, essa ferramenta era assunto de major: a Universal tinha assinado três meses antes. Agora o catálogo independente está dentro. E o acordo cobre gravação e composição, não só o fonograma.
Três palavras, nenhum número
O Spotify declara consentimento, crédito e compensação. Consentimento: a participação é opcional. Crédito: o artista original é creditado, e cada criação leva o ouvinte de volta à obra. Compensação: a ferramenta será um produto pago dentro do Premium, e a receita é dividida com artistas e compositores participantes. O que o anúncio não traz: percentual, valor, piso, preço, data de lançamento ou países.
Onde exatamente fica o botão
O comunicado diz que o acordo permite aos artistas de selos sob o acordo da Merlin a opção de participar. Repare na cadeia: quem assinou foi a Merlin; quem é membro dela é a empresa que distribui a sua música, não você. A tela em que essa opção é exercida não está descrita em lugar nenhum — e a ferramenta ainda está em versão de pesquisa, aberta só para um grupo de usuários.
O recado: Descubra se quem distribui a sua música é membro da Merlin e pergunte a essa empresa onde a opção de participar é exercida — porque foi ela que assinou, não você. E guarde a segunda pergunta para quando houver resposta: quanto se recebe por uma criação que nasce da sua faixa. Fonte: Spotify Newsroom, 4 de agosto de 2026.
O conteúdo em slides