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O streaming virou a maior fonte de direito autoral do Brasil — e o que o Ecad paga não é o que o distribuidor paga

O Ecad distribuiu mais de um bilhão de reais no primeiro semestre de dois mil e vinte e seis, e pela primeira vez os serviços digitais são a maior fatia, à frente de rádio, show e televisão aberta. Mais de trezentos e doze mil titulares receberam. Destacamos uma análise que você vai gostar de ler.

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Um bilhão de reais distribuído em seis meses

Entre janeiro e junho o Ecad repassou mais de um bilhão de reais em direitos autorais de execução pública, alta de dezesseis vírgula cinco por cento sobre o mesmo período do ano passado. Mais de trezentos e doze mil compositores, intérpretes, músicos, produtores fonográficos e editoras foram remunerados. Cerca de setenta e sete por cento do valor ficou com titulares nacionais.

O digital passou o rádio, o show e a televisão

Os serviços digitais responderam por vinte e oito por cento de tudo o que foi distribuído no semestre. Depois vêm as rádios, com quinze vírgula nove por cento, os shows, com quinze vírgula um, e a televisão aberta, também com quinze vírgula um. A execução em streaming deixou de ser complemento e virou o principal canal de repasse. Para quem ainda trata rádio como a meta principal de divulgação, a ordem de prioridade mudou de lugar.

O que o distribuidor paga não é o que o Ecad distribui

São dois fluxos diferentes e é aqui que muita gente deixa dinheiro na mesa. O distribuidor digital repassa o royalty do stream. O Ecad arrecada e distribui direito autoral de execução pública, que é outra coisa. Quem só recebe pelo distribuidor pode estar recebendo apenas uma das duas parcelas. E a segunda tem uma condição: para entrar naqueles trezentos e doze mil é preciso estar filiado a uma associação e ter obra e fonograma cadastrados. Sem cadastro não há repasse, por mais que a música toque.

O recado: O Ecad fez questão de dizer que o resultado veio apesar da inadimplência de órgãos públicos, que seguem sem pagar pelo uso de música em eventos, festas populares e programas culturais. A Prefeitura de Linhares, no Espírito Santo, acumula cerca de oitocentos mil reais em dívida e está em cobrança judicial desde julho do ano passado. Ainda assim a distribuição subiu. Vale conferir se a sua obra está cadastrada, porque os repasses de streaming caem em fevereiro, maio, agosto e novembro. Salve este post e compartilhe com quem vive de música independente.