MusicPlay Club
← Todas as edições

Você está sendo enganado nos shows? Um guitarrista abre o capô do ao vivo moderno

Um guitarrista e produtor abre o capô do show ao vivo de hoje: bases pré-gravadas, automação, autotune em tempo real. E pergunta o que a gente ganhou trocando o erro pela precisão.

Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narração

Editar sempre foi lei. Mas antes alguém tocava

O autor lembra que edição existe desde que música é comercializada: nos discos antigos, juntavam-se vários takes numa música só, e discos ao vivo iam pro estúdio consertar erros. A diferença, diz ele, é que ali ainda era execução — alguém tocou, alguém cantou. A partir dos anos 90, com a edição digital, passou-se a arrastar notas para o lugar e a afinar qualquer coisa depois de gravada.

A base dispara, e o músico toca por cima

No palco de hoje, diz o autor, muito do que você ouve está sendo disparado de um computador: guitarras extras, instrumentos que deveriam estar sendo tocados, partes inteiras de voz. Ele conta que, na música popular, a automação chega a tirar o volume da voz do cantor e entrar uma base pré-gravada num crossfade perfeito — o artista sai de cantar ao vivo e passa a dublar sem ninguém perceber. Dois motivos, resume ele: dinheiro (levar menos gente) e segurança (não gastar a voz, não desafinar).

Foi imperfeito, e por isso foi perfeito

O autor compara dois shows em Curitiba: o do Offspring, impecável — ele credita a um autotune automatizado por set list na voz do vocalista — e o do Djavan, humano, com o violão desafinando um pouco no frio. Foi o segundo que o emocionou. Ninguém canta 100% afinado ao vivo, argumenta; é a imperfeição que dá clima de verdade. Ele cita exceções que admira, como Vittor e Léo, e lembra o produtor Flea, do Red Hot Chili Peppers, que toca de verdade enquanto se joga pelo palco.

O recado: A pergunta com que o autor encerra é para quem faz música: você aprendeu a tocar ou a cantar para subir no palco e dublar? Ele torce por um retorno do ao vivo visceral — volume, risco, erro, aquilo que um dia revolucionou a música. É a opinião dele, e ele mesmo se inclui na conta. Salve este post e mande para aquele amigo que vive dizendo que "hoje é tudo playback".